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Disco Nota 11: Led Zeppelin III - Led Zeppelin
Paulo Fernandes

SURPRESAS FOLK
O terceiro disco do Led Zeppelin, lançado em 1970, começa tão pesado quanto seu antecessor, “Led Zeppelin II”, de 1969, com o petardo (uma das melhores músicas do grupo) Immigrant Song. A segunda música: o folk de sabor oriental Friends desacelera o ímpeto inicial, que é parcialmente retomado por Celebration Day.
O lado 1 termina com a enérgica Out on the Tiles, com John Bonham mostrando sua força na bateria. Antes disso, temos a maravilha de um dos blues mais bonitos que conheço: Since I’ve Been Loving You.

É no lado 2 que o Led Zeppelin nos surpreende, com 5 canções acústicas de folk, das quais se destacam Tangerine e That’s the Way, duas belas e emocionantes baladas. Realmente não era mais um outro disco de rock pesado.
TEMPORADA EM BRON-Y-AUR
O disco que deixou alguns fãs perplexos, e até revoltados, e parte da crítica desconcertada, foi resultado de uma parada para descanso do grupo após a agitação de longas turnês e das corridas sessões de gravação para os dois primeiros álbuns.

Com mais tempo livre, Page e Plant resolveram passar uma temporada na pequena cidade de South Snowdonia, no País de Gales. Hospedados num chalé chamado Bron-Y-Aur, que não contava com energia elétrica(!) os dois músicos compuseram grande parte do material do disco, inspirados pela atmosfera bucólica do local e fortemente influenciados pelo folclore de raízes celtas.
TIRO MEU CHAPÉU PARA O LED ZEPPELIN
Aproveitando a homenagem prestada pela banda ao cantor de folk inglês Roy Harper (Hats Off to (Roy) Harper) eu tiro meu chapéu para demonstração de versatilidade do Led Zeppelin neste disco. Eles já haviam mostrado que eram bons em números pesados e elétricos, e aqui mostram que saiam bem, também, em números mais bandos e acústicos.

Passei muito tempo ouvindo só o lado 1 de Led Zeppelin III, mas quando finalmente “descobri” o lado 2 me deixei seduzir por seu encantamento. Embora minha preferida de todos os tempos desse disco seja, como bem disse o Fábio, “a alta densidade etérea” de Since I’ve Been Loving You.
FAIXAS
Lado 1
1. Immigrant Song (Page, Plant)
2. Friends (Page, Plant)
3. Celebration Day (Jones, Page, Plant)
4. Since I’ve Been Loving You (Jones, Page, Plant)
5. Out on the Tiles (Bonham, Page, Plant)
Lado 2
1. Gallows Pole (tradicional, arr. Page, Plant)
2. Tangerine (Page)
3. That’s the Way (Page, Plant)
4. Bron-Y-Aur Stomp (Jones, Jones, Page)
5. Hats Off to (Roy) Harper (tradicional, arr. Charles Obscure)
CURIOSIDADES
A capa de Led Zeppelin III é um espetáculo à parte, com sua colagem de fotos e desenhos. A edição em vinil possui um disco interno de papelão que ao ser girado com as mãos modifica as imagens mostradas através de janelas.

Roy Harper participou, como vocal principal, da faixa Have a Cigar do disco “Wish You Were Here” do Pink Floyd.
Charles Obscure é um pseudônimo jocoso usado por Jimmy Page.
MÚSICAS
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MC5: Arrebentando Tudo
Paulo Fernandes

PUNK NA DÉCADA DE 60?
Pois é! Dentre tantos títulos e adjetivos atribuídos ao grupo de Detroit (A Cidade do Automóvel), Motor City Five ou simplesmente MC5, está o de precursor do punk. Isto se deve à alta combustão da mistura de rock agressivo e política que eles faziam e que seria a tônica de muitas bandas de punk do final da década de 1970, entre elas o Clash.
DE BANDA DE ESCOLA À MILITÂNCIA POLÍTICA
Formado em 1964, com Rob Tyner (vocais), Fred "Sonic" Smith (guitarra), Wayne Kramer (guitarra), Pat Burrows (baixo) e Bob Gaspar (bateria), começou animando festas e apresentações escolares

Dispostos a radicalizar o som da banda, os guitarristas Smith e Kramer começam a abusar das distorções e microfonias. Em 1965, duas substituições: Michael Davis assume o baixo e Dennis Thompson a bateria.
Esse som mais agressivo faz o MC5 atingir um público maior, ávido por suas memoráveis apresentações ao vivo. John Sinclair, ativista político e fundador do movimento socialista antirracista White Panther, gostou da banda e se tornou seu empresário em 1967.
Em 1967 lançam seu primeiro single I Can Only Give You Everything.
Da gravação de uma apresentação bombástica, em 1968, no Big Ballroom de Detroit nasceu o primeiro álbum: “Kick Out the Jams” que foi lançado em 1969.

As letras misturavam idéias revolucionárias e palavrões, o que levou o MC5 a ter sérios problemas com a polícia e a censura. A gravadora assustada tentava contornar e segurar a onda ensandecida da banda.
Numa nova gravadora em 1970, a Atlantic que exigiu que a turma se controlasse, lançaram mais dois álbuns: “Back in the USA”, de 1970 e “High Time”, de 1971. Nesse meio tempo John Sinclair foi preso por oferecer maconha a um policial.
A falta de um sucesso comercial consistente levou à dissolução do grupo em 1972.
O LEGADO
Alçado a condição de grupo cult, e adorado por bandas de punk, hard, grunge, etc. que se dizem influenciadas por eles, o MC5 deixou uma marca profunda e indelével na história do rock.

CURIOSIDADES
A gravadora modificou uma frase da música Kick Out the Jams que dizia: “Kick Out The Jams, Mother Fuckers!” para “Kick Out The Jams, Brothers and Sisters”.
John Lennon gravou a música John Sinclair, no album “Sometimes in New Your City”, num apelo à liberação de Sinclair, que havia sido condenado a 10 anos de prisão pelo episódio da maconha.
MÚSICAS
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Na onda do Acústico
Messias Reis
Outro dia, assistindo a um DVD acústico, ouvi o guitarrista dizer que uma música acústica nada mais é do que fazê-la voltar à origem de sua criação. Segundo ele, a criação de uma música é feita basicamente com um violão e voz, sem toda aquela arrumação com baixo, bateria e tudo mais.
Esta onda de acústico teve uma explosão há algum tempo atrás, fazendo renascer algumas bandas e decretando o fim de outras, mas sua criação é bem antiga, mais precisamente em 1968, com Elvis Presley, para a rede de televisão NBC.
O precursor no Brasil foi Marcelo Nova, gravando seu acústico em 1990, mas o primeiro programa oficial foi feito pelo Barão Vermelho, no ano de 1991, e lançado em 2007.
Recentemente, o acústico foi responsável por trazer algumas bandas e artistas que estavam no limbo. Alguns conseguiram ficar um tempo na mídia, mas depois caíram no esquecimento novamente. Outras já conseguiram sobreviver pós-acústico, e acho que foi a carta na manga.
Particularmente, eu gosto de música acústica. O bom do acústico, é que o artista tem que realmente mostrar que tem voz, pois durante um show ou mesmo durante a gravação em estúdio, fica fácil enganar com tanta tecnologia disponível.
Os caras do Nirvana fizeram um acústico, que apesar do Kurt Cobain estar no seu estado Nirvana de ser, foi um bom show, com músicas próprias e algumas cópias.
Maroon 5 também venderam bem com a onda do acústico. Acho que muita gente ficou conhecendo a banda através deste trabalho.
The Cranberries, com a voz de Dolores, não deixou nada a desejar. O legal deste DVD é que as músicas são fáceis de tocar e assim qualquer leigo como eu consegue enganar no violão.
Existem vários que fizeram do mesmo jeito, como Alanis Morissette, Scorpions, entre outros.
Nacionalmente falando, tivemos nossa onda também. Capital Inicial, tirando a camisa vinho do Dinho, o show é legal. Titãs, Kid Abelha, Nenhum de Nós, Ultraje a Rigor (esse ficou muito bom), Engenheiros do Hawaii, Cássia Eller (outro muito bom), Legião Urbana, Raimundos, Ira! e muitos outros também embarcaram nessa.
Infelizmente, alguns fizeram e desapareceram do mapa, ou por motivo de briga ou por crenças religiosas.
O legal de um CD ou DVD acústico, é que se pode ouvir todos os sucessos que fizeram parte de uma carreira ao longo dos anos.
O fato é que todas as bandas citadas e outras que não citei, mas fiquem à vontade para fazê-lo, conseguiram deixar sua marca, mostrando que conseguiam tocar sem toda aquela parafernália que os acompanham durante os shows elétricos.
Fico pensando como seria um show acústico de alguns cantores e cantoras que existem por aí. Melhor nem pensar.
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Disco Nota 11: Vivendo e não Aprendendo - Ira!
Paulo Fernandes
DO PUNK AO MOD
O ano de 1986 foi para mim um ano de grandes descobertas, uma delas foi o Ira!, graças ao seu segundo álbum “Vivendo e Não Aprendendo”, lançado naquele mesmo ano e que tinha, entre outras excelentes músicas, o hino Envelheço na Cidade. Durante o restante daquela década, o Ira! foi a minha banda de rock nacional predileta.
O Ira! nasceu em 1981 do encontro do guitarrista Edgard Scandurra com o vocalista Marcos Valadão, o“Nasi”. Era uma época em que a cena punk paulistana estava bem animada, e foi essa a linha seguida nos primórdios do grupo. Acontece que Edgard era fã de Led Zeppelin, Jimi Hendrix, Who e Jam, e um virtuose da guitarra.
Esse amálgama de paixões e influências iria refletir no som da banda e no seu primeiro álbum em 1985. O título “Mudança de Comportamento” diz muito sobre seu conteúdo: uma releitura do mod de bandas inglesas dos anos 60 como The Who e Kinks, e como seu contemporâneo The Jam. E isso temperado com ótimos riffs de guitarra de Scandurra e os vocais raivosos de Nasi.
Esse disco vendeu pouco, apesar de grandes canções como: N.B. Núcleo Base, Longe de Tudo, Mudança de Comportamento e Coração.

A banda nessa época, após alguma rotatividade no baixo e na bateria, encontrou sua formação definitiva com, além de Edgard e Nasi, Ricardo “Gaspa” Gasparini (baixo) e André Jung (bateria).
VIVENDO E NÃO APRENDENDO
Para seu segundo álbum o Ira! queria aprofundar e evoluir a estética mod e pós-punk. Parece que não foi fácil, e surgiram desavenças entre o grupo e a produção da gravadora. Fatos que contribuíram para “marcar” os integrantes do Ira! como difíceis e radicais.
Apesar dessas querelas, o resultado é, sem sombra de dúvida, um dos melhores discos do rock nacional de todos os tempos.
Começando com a ótima Envelheço na Cidade, com seus riffs de guitarra espetaculares, o disco mostra a energia da banda em tributo aos seus ídolos. E há lugar para experimentações como Vitrine Viva, que mistura rock pesado com funk, e Flores em Você, com seu arranjo de cordas claramente inspirado em Eleanor Rigby dos Beatles. Flores em Você, incluída com abertura de novela da Globo no ano seguinte, se transformou num dos maiores sucessos do Ira! e turbinou as vendas do álbum.
Encerrando o disco, vibrantes versões ao vivo de duas músicas do passado punk da banda: Gritos na Multidão e Pobre Paulista.
FAIXAS
Todas as faixas compostas por Edgard Scandurra, exceto as anotadas.Lado A
1. Envelheço na Cidade
2. Casa de Papel
3. Dias de Luta
4. Tanto Quanto Eu (Gasparini, Scandurra)
5. Vitrine Viva (Luis Arnaldo Braga, Scandurra)Lado B
1. Flores em Você
2. Quinze Anos (Gasparini, Scandurra)
3. Nas Ruas
4. Gritos na Multidão
5. Pobre Paulista
MÚSICAS
Infelizmente não consegui vídeos com boa qualidade de som, com todas as gravações originais do disco. O jeito foi improvisar e colocar o que encontrei.
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